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maio 5, 2009

Mestre, são plácidas todas horas

Foi Maria Helena nery Garcez quem me ensinou a ler Fernando Pessoa. Há um livro dela, "O tabuleiro antigo", que se abre com uma interpretação da ode 310, de Ricardo Reis, o heterônimo neoclássico. Pois bem, normalmente leio poesia afastando-me da paixão pelo que leio, faço isso buscando aquele distanciamento que permite ver as perguntas em silêncio, os problemas, as sombras que o poema traz. Mas não consigo ser assim ao ler essa ode. Há, de fato, uma sapiência, ou uma versão da sabedoria nela e isso me interessa.
O propósito de estar na vida e deixá-la decorrer me encanta, mas não me convence: é impossível deixar a vida simplesmente decorrer. Um outro poeta diz "É crua a vida. Alça de tripa e metal. Nela despenco...". Estou mais para a segunda alternativa, nós despencamos na vida e para aqueles que agarram-se à máscara da calma, resta apenas a máscara. Mas podemos desejar a calma, a tranquilidade. Não falo, mais uma vez, de felicidade e sim daquela consciência tranquila de saber que se pode esperar dias melhores. Estou assim hoje.

por Gabis às 11:45 PM | comentários (9)