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junho 29, 2005

Fogueiras

E eu me dei conta que hoje é dia de São Pedro! Aqui no Norte do Brasil isso ainda é tão forte. O cheiro da madeira queimada, o cheiro dos fogos de artifício, a canjica, as bananas fritas, o aluá. Deus, quantas lembranças. Eu não tenho como sufocá-las, sabem?
Diferentemente do Sul e do Sudeste, nossas noites juninas são quentes, por isso nossas bebidas são refrescantes. Mas as crendices são as mesmas e são tão entranhadas que ninguém ousa duvidar daquilo que as crianças vêem na água e nas facas enfiadas e retiradas do tronco de uma bananeira.
Estou feliz com o dia, que amanheceu maravilhosamente azul, mas estou com uma saudade boa de ser menino e de ter uma fé intacta.

por Gabis às 9:27 AM | comentários (1)

Asas

Era uma manhã
brilhante e azul
um filme em
cinemascope. Lembra?

O que me tocou
acho que nem foi
a voz da mulher
ampla e funda
como o céu.

Acho que não foi
o bichano pedindo
pra brincar. O
ronranado queixoso.

Nem mesmo o incenso
ou o vento, deus
assombroso que me
tomava.

Foi (é um segredo
meu e teu) tantas
borboletas em redor
da mangueira e
dos jasmins.

Eram alvas
eram Amarelas
e mais leves que o céu.

A voz da mulher
não morrerá.
O vento existirá
mesmo após o fim
de tudo.
Temos fotos do bichano
em CD.

Eu nunca mais
terei as borboletas.
Nunca mais.

por Gabis às 9:20 AM | comentários (109)

junho 17, 2005

Calor

Está mais quente que nunca aqui em Manô.
É um calor molhado, quente e úmido (!). O Aderbal vai para a frente de nossa casa, sobe no muro e fica escarrapachado nas pedras, à sombra de um pé de carambola do qual jamais provei um fruto. Tentei postar uma foto do felino aqui, mas sou completamente incompatível com os comandos da informática. Pior foi no Orkut onde postei a foto que não queria, aí apareci com aquela cara lambida de domingo e os shorts horríveis, quase dobrados na altura das coxas, santa Coco Chanel, perdoai-o, ele não sabia o que fazia!
Quando cometo erros assim, atribuo tudo ao calor. Sempre funciona. O que não funciona é essa minha covardia diante do volante de um automóvel. Gentem! Eu bati com o carro duas vezes só tentando manobrar na garagem. Do que deduzo não ter a destreza do Gui, a ousadia de Zel nem a concentração nipônica do Nor. Aí, em uma festa de aniversário encontramos minha ex-professora de direção cá em manaus e ela declarou depois de umas brejas: você vai dirigir! Quer acabar com o meu bom nome? Só as gargalhadas em meu redor evitaram que dissesse "Abuááá", tudo culpa do calor.
Só não sei se é culpa do calor uma certa nostalgia e uma leseira, eta coisa indefinível que é leseira. acho que é um misto de preguiça e incapacidade de agir, deve ser isso...
Como vêem estou completamente incapacitado para a seriedade, adivinhem de quem é a culpa.

por Gabis às 4:55 PM | comentários (131)