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abril 29, 2005

Day by day

Fico pensando sobre o lugar da gente no mundo, mais especificamente no mundo em que estou agora. Olha só: descobri que se você não estuda a ecologia, a biologia, as águas, os impactos ambientais e as formas de manejo, acaba sendo considerado um estranho no ninho chamado Amazônia. Literatura? Só as dos caras que publicam pela SBPC, pela Nature ou pela Science. Música? Só tecnobrega (Ok, a gente tem um festival de ópera por aqui...). Quem se preocupa com o que me preocupo, torna-se invisível. Acabei de receber um convite fantástico para participar de um seminário no... Rio de Janeiro. Creio ser provável que minhas pesquisas sejam mais bem aceitas no Sul maravilha do que aqui na minha taba. Ufa!
Dizia para o Lôro outro dia que sinto falta de cantar. Eu nunca senti tanta falta na minha vida de cantar assim: pega partitura e manda ver, meio que adivinhando as notas, aquele exercício fantático que fazia com a regente Vera Novak. Resolvi inventar coisas. Ponho músicas que gosto, todas elas de vários estilos e vou cantando. Consegui outro dia o milagre de cantar junto com a falecida Cássia Eller uma canção do derradeiro cd. A canção era agudíssima e fiz uma mistura de falsete e voz natural que, acreditem, foi confortável, cantei feliz e o Aderbal, o ser felino que habita lá em casa, foi me ver. Não miou, não se enroscou nas minhas pernas e quando a canção chegou ao fim, ele bateu as pestanas algumas vezes e lambeu as patas (isto significa: continue se esforçando, você vai longe). Meus amigos daqui dizem que devo cantar sozinho, mas não gosto de ser solista. Gosto de cantar junto com os outros. Pra mim, cantar é uma ação coletiva, porém com participações individuais.
Parei de escrever poesia. Parei de fazer tanta coisa. Mas acho que alguma coisa está vindo e é coisa boa, motivo de alegria para mim e para os que amo. Será que estou renascendo?

por Gabis às 1:54 PM | comentários (2)

abril 7, 2005

Rude Poema

O título do post é, na verdade, o título de uma peça para piano acho que de Villa Lobos. Talvez o Gui a conheça... faz tanto tempo que ouvi. Mas eu estava aqui lembrando da poeta Alice Ruiz em uma das poucas vezes que a vi na casa de amigos, em Curitiba. Eu perguntei se ela lembrava de um certo poema que dizia assim:
"lembra do tempo em você sentia
e sentir era a forma mais sábia de saber
e você nem sabia?".
Ela respondeu que lembrava e que esse poema ela o fez muito tristemente. Disse que não queria fazer mais coisas tristes e que a lembrança dos sentimentos, dos bons sentimentos, dos sentimentos grandes e fortes, aqueles que não sabemos nomear, é a mais intensa das lembranças.
Eu também estou precisando lembrar dos grandes sentimentos, das emoções felizes.

por Gabis às 2:12 PM | comentários (1396)

abril 4, 2005

Ô abre alas!

Meu Deus! Quando recebi a mensagem do Gui falando de páginas intimas como um domínio, eu achei que fosse uma sugestão, no máximo. E não é que agora os danados me pegaram a laço? Meus amores, meus três anjos, muiiitoo obrigado mesmo. É tudo tão bonito! Até minhas pernas sem graça têm alguma graça naquela foto! O poema brincadeira que fiz pra Zel, o sabiá do Gui, as palavras e o trabalho do Nor... tudo é absolutamente comovente e lindo e... a bil ficou sem palavras! Eta presentão de aniversário! Aconteceram coisas muito tristes nas duas últimas semanas, mas tanta beleza apaga a tristeza e a dor.
Agradeço a todos que vieram aqui antes de mim. E agradeço à vida porque, como diz o ditado árabe: quem tem amigos tem o céu.

por Gabis às 5:56 PM | comentários (5)