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março 21, 2005
O bom filho à casa torne (pelamordedeus!)
eu não sou poeta, não me atrevo. no entanto, dei sorte de ter um irmão poeta que me dá poeminhas de presente... esse foi o primeiro que ganhei, em papel de guardanapo. ainda o tenho escondido em algum lugar que nem eu acho (mas sempre que preciso, ele tá lá. :)
Casa a cada dia abandonada,
Escadas
Arcadas
Salas frias,
Alegria na tua chegada.
esse é um poema doce, divertido e que me emociona muito, pois tem meu pai, minha mãe, minha família, da qual ele se tornou parte, pra sempre.
Poeminha naïf II - História do Gatão
Tem criança que balbucia, né?
Mas ela miava e aí virou Gatão.
Atendia também por outros nomes
Como Ni, Ivanise (o de verdade)
E, quando crescesse,
Chamar-lhe-iam Zel.
Um dia, os dois
Irmãozinhos falaram
"De que a gente vai brincar"?
E ela, prontamente
"De cozinhar"!
E explodiram a panela de pressão.
A mami, que é Vera,
Ficou uma fera
E pôs tudo que era moleque
Pra limpar aquela meleca.
No dia seguinte
Voltaram os dois.
E agora, de que a gente
Vai brincar?
"Oras", disse ela, "De pintar"!
E lá se foram as paredes da sala
Consumidas pelos lápis de cor.
Mami que é Vera...
E o papi só disse
"Deixa os meninos, Vera".
A história podia acabar,
Mas acontece que a menina
(Ni, Gatão, Zel)
Mandou a alegria pro beleléu.
A mami, já preocupada,
Não se agüenta
E oferece uma
Rabada com polenta.
— Quero não.
O papi, com a pulga atrás da orelha,
achando que resolve a situação,
Oferece um bicho de pelúcia.
— Quero não.
"Um cauaco"?
— Quero não.
"Um miau"?
— Credo! Sai pra lá com esse animal.
"Mas, menina, por que se amofina"?
E ela muxibenta:
— Eu quero uma joanina!
Tradução: cauaco = caçôlo; joanina é joaninha mesmo.
pra você de volta, meu amor!
(zel)
+
Já eu me atrevo, mas não digo que sou poeta, não aqui — capaz de causar celeuma. Aqui o poeta é ele e apenas ele. "É que nos olhos / Há sempre um verso", eu disse. E os meus olhos transbordam pelo meu fratello amado.
Arrisco então o primeiro post de mãos dadas com a fraternidade, um pequeno rastro nas areias da terceira margem do seu rio. E uma canção, que nisso eu sou bom. Vocês, imaginem o tom entre as palavras.
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar uma sabiá,
Cantar uma sabiá
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra de uma palmeira que já não há
Colher a flor que já não dá
E algum amor talvez possa espantar
As noites que eu não queria
E anunciar o dia
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos de me entregar
Como fiz enganos de me encontrar
Como fiz estradas de me perder
Fiz de tudo e nada de te esquecer.
(Sabiá — Tom, Chico e Norman Gimbel)
As páginas são tuas e sempre foram, fratello mio. Volta, vai?
(Gui)
+
... e eu, não me arrisco a ser nada. A não ser, mas já o sendo (como você costumava me chamar) nor, o japa.
Sim, aquele japa, o sumido (e com direito a todos os adjetivos raivosos da tua parte que eu mereço, por não estar assim tão presente como deveria).
Pra não correr o risco de ser redundantemente repetitivo, ou cair na tentação de escrever bonito e meter os pés pelas jacas, vou ser breve. Volte, Gabis. Ao menos por aqui, tua morada virtual, pra que a gente possa fugir de quando em quando, e imaginar que no alto daquele apê da Harmonia, outra tarde passa voando.
Então, sinta-se em casa, pois nós (aliás, os dois aí de cima, principalmente) escolhemos essa casa pra ti. Bom proveito. (seu e nosso, claro)
E pra dramatizar um pouco, um trechinho de um poema de Vinícius de Morais, musicado por Adoniran Barbosa:
Já estava ficando
Até meio triste
De estar tanto tempo
Longe de você
(nor)
por Gabis às 8:17 PM | comentários (10)